Escrevia poemas, soltos, de temas diversos. No inverno de certa noite surgiu a ideia de Cantiga aos Cisnes. Transcrevi rapidamente a inspiração. Depois burilei, aprimorei, sempre com a certeza que este seria o título do livro e o primeiro poema da série. Espero que o leitor sinta a leveza que estas aves transmitem ao ler. Não obstante, aprecie a firmeza das palavras e a profundidade no trato dos sentimentos.
É preciso sentar e admirar o lago. Os cisnes bailam na poesia de corações que sabem se encantar. Talvez por namoro, mas também pela amizade e a beleza dos momentos da vida. Independente do querer individual, o tempo flui. Cabe sentir.
No átimo tempo em que a primeira gotícula de água cai,
notai o blindar na tela do lago branco de cisnes e cantai.
É o raiar da cantiga de poemas a alentar seu leve saltitar,
e multiplicar cenários ao espaço multicor do verbo amar.
(...)
Tudo encanta, verso e canto em namoro de seu criador.
Tudo apaga, sobrevive apenas o panorama encantador.
Soa um sino de cisne branco a divagar romances d’alma.
Soa o hino de negro cisne a dispersar a cena e desalma.

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Carinho
Nota oitava acima de teu querer à tecla base,
procuras e necessitas o carinho que lhe case.
Não esperas outro toque e nem ritmo melhor.
Tua alma suplica e teu corpo solicita Si maior.
Nesta música de delícias não se toca bemol.
Só vibram sustenidos e encantos em Clave Sol.
Violão e orquestra, violinos mágicos, serestas.
Lua e estrelas aclaram almas, sinfonia, festas.
Dó é teu desejo, em lampejos, olhar carente.
Ré vem cantar dobrados a fogo e pé ardente.
Mi melodia acordes de carícias e amor louco.
Fá entoa, então, a escala celebrada há pouco.
Sol insiste afagos de vidas tão indispensáveis.
Lá não tem como ter as pautas aqui amáveis.
Si é oitava acima e recomeça mais um querer:
carinhos, mais carinhos, amor ser até morrer.


